Esquemas e funções · Análise
Três Atrás, Dois na Frente, e Tudo Depende dos Alas
O 3-5-2 joga com três zagueiros, dois alas, três meio-campistas centrais e dois atacantes. Como ele ataca e defende, e por que os alas decidem tudo.
O 3-5-2 é um esquema tático com três zagueiros, cinco jogadores no meio-campo e dois atacantes. Os cinco são, na verdade, três meio-campistas centrais e dois alas, e esses alas são os únicos jogadores de lado do time. Quando eles estão lá em cima, o desenho é um 3-3-4 que ataca com uma linha de quatro na frente; quando recuam, é um 5-3-2 com cinco na última linha. Nenhum outro esquema comum muda tanto de cara conforme a posição de dois jogadores.
Carlos Bilardo costuma levar o crédito por estabelecê-lo no mais alto nível, com a Argentina campeã da Copa do Mundo de 1986: três defensores centrais, dois jogadores de lado cobrindo o corredor inteiro e uma estrutura montada para soltar Diego Maradona. Na Itália ele nunca saiu de uso. A Juventus de Antonio Conte ganhou três campeonatos seguidos a partir de 2012 com Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini na linha de três e Andrea Pirlo como regista à frente deles. Conte voltou a ser campeão com a Inter em 2020-21, com o mesmo desenho e uma dupla de ataque formada por Romelu Lukaku e Lautaro Martínez, e a Inter de Simone Inzaghi chegou com ele à final da Champions League de 2023.
A linha de três é o primeiro atrativo. Contra dois atacantes sobra um defensor; contra um sobram dois, e um deles pode entrar no meio-campo com a bola. Na saída de bola, três zagueiros espalhados pela largura da grande área são difíceis de pressionar com uma dupla de frente, e os zagueiros de lado podem conduzir a bola para o espaço que normalmente seria de um lateral. O esquema também entrega ao time uma rest defence pronta: três atrás da bola e um volante à frente já formam um 3+1 antes de alguém receber a ordem de ficar.
O segundo atrativo é a dupla de atacantes. A maioria dos desenhos modernos pede que um só atacante ocupe dois zagueiros. Dois atacantes conseguem prender sozinhos uma linha de quatro, tabelar entre si e dividir as tarefas de vir buscar a bola e de atacar a profundidade. Nos times de Conte, os movimentos entre eles eram ensaiados como jogadas de bola parada: um recua para receber de costas para o gol, escora para um meio-campista e gira, enquanto o outro ataca o espaço que ele deixou. É uma jogada de terceiro homem embutida no esquema.
Todo o resto depende dos alas. Eles precisam dar amplitude ao time no ataque, chegando na segunda trave quando a bola está do outro lado, e voltar para uma linha de cinco quando ela é perdida. Se ficam presos lá atrás pelos pontas adversários, o 3-5-2 vira um 5-3-2 que não consegue sair, e os três meio-campistas centrais têm a largura inteira do campo para cobrir. Esse é o jeito clássico de vencê-lo: um trio de ataque cujos pontas ficam altos e abertos, de modo que cada ala precise escolher entre largar o seu ponta e deixar o corredor vazio. As viradas de jogo também machucam, porque o trio de meio-campo não consegue bascular tão rápido quanto a bola viaja.
O trio central varia. Um volante com dois meio-campistas box-to-box à frente dele é a versão comum; um regista com dois corredores é a italiana; e o 3-4-1-2, com dois volantes e um 10, é um primo próximo. O que não muda é que o time tem gente no centro e pouca gente por fora, então as suas superioridades numéricas nascem de um zagueiro de lado, um ala e um meio-campista formando triângulos num dos corredores. Você pode colocar um 3-5-2 na prancheta tática e puxar os alas para a altura da defesa para ver o 5-3-2 em que ele se transforma sem a bola. Para a família mais ampla de sistemas com três defensores centrais, veja a linha de três zagueiros.
O 3-5-2 é a mesma coisa que o 5-3-2?
São as mesmas onze posições vistas em momentos diferentes. Com os alas adiantados, na altura do meio-campo, é um 3-5-2; com eles na altura dos zagueiros, é um 5-3-2. Os técnicos costumam usar o primeiro nome para times que passam a maior parte do jogo atacando e o segundo para times que mais defendem, mas todo time que joga nesse desenho passa de um para o outro muitas vezes numa partida.
Fontes e leitura complementar
- The 3-5-2 formation: five key points — The Coaches' Voice
- Wing-backs: football tactics explained — The Coaches' Voice
- Formation (association football) — Wikipedia