Esquemas e funções · Análise

Esquema tático 5-3-2: cinco atrás, dois na frente — o esquema do ferrolho e do penta

O 5-3-2 tem três zagueiros, dois alas recuados, três meio-campistas e dois atacantes. Como defende, como contra-ataca e o que tem a ver com o penta.

Diagrama de um 5-3-2 no campo: linha de cinco com os dois alas destacados em vermelho, três meio-campistas centrais e dois atacantes.
Imagem: Touchline Notes

O 5-3-2 é um esquema tático com cinco defensores, três meio-campistas centrais e dois atacantes. Os cinco são três zagueiros e dois alas que começam na mesma linha deles, o que faz dele a leitura defensiva das mesmas onze posições do 3-5-2.

No papel, o 5-3-2 e o 3-5-2 têm os mesmos jogadores nos mesmos lugares. O que os separa é onde os dois jogadores de lado estão quando o adversário tem a bola e o que o técnico pede a eles quando o time tem a bola. O 3-5-2 trata os alas como meio-campistas que às vezes defendem. O 5-3-2 os trata como defensores que às vezes atacam. A Wikipédia em inglês descreve o 5-3-2 com três zagueiros centrais, um deles possivelmente na função de líbero, e alas que percorrem o corredor inteiro.

O desenho, posição por posição

Três zagueiros. O do meio é o organizador. Durante décadas ele foi um líbero, o homem da sobra atrás de dois marcadores; nas versões modernas costuma jogar na mesma linha dos outros e sair com a bola. Os dois zagueiros de fora são os que fazem o desenho funcionar sem a bola. Como há um zagueiro sobrando, eles podem acompanhar um atacante ou um ponta para fora da linha, sabendo que alguém cobre o espaço atrás.

Dois alas. São os únicos jogadores de lado do time. No 5-3-2 começam recuados e são cobrados primeiro pela defesa: fechar o corredor, impedir o cruzamento, acompanhar quem entra na segunda trave. Quando o time recupera a bola, viram a principal fonte de largura. É por isso que a função de ala junta o trabalho de um lateral e de um ponta.

Três meio-campistas centrais. Em geral um volante protege a linha de cinco, com dois volantes box-to-box ao lado dele. Sem a bola, o trabalho deles é ficar estreitos e perto da defesa, para que o espaço entre as linhas seja pequeno demais para alguém receber.

Dois atacantes. A dupla dá sentido ao esquema. Um costuma ser a referência, que recebe a bola longa de costas e segura; o outro ataca os corredores e as costas da zaga. Juntos, ocupam os zagueiros adversários mesmo quando o resto do time está todo lá atrás. É o trabalho de centroavante dividido por dois.

Como ataca

O 5-3-2 não foi feito para ficar muito tempo com a bola. O seu movimento natural é o contra-ataque: recuperar lá atrás, achar um atacante rápido e lançar gente para a frente antes que o adversário se reorganize. O problema é a distância. O gol está longe, então o contra-ataque precisa de passes rápidos para a frente e de um atacante que segure a bola até o apoio chegar. Dois atacantes ajudam: um escora enquanto o outro corre, e os zagueiros adversários não conseguem subir os dois sem deixar alguém livre.

O outro caminho são os alas. Quando o time se instala no campo de ataque, eles sobem, o desenho vira 3-5-2 e os três zagueiros dão uma base sólida para a saída de bola. O Coaches' Voice lembra que a linha de três costuma criar superioridade na primeira fase, porque é difícil para o adversário comprometer três jogadores na pressão.

Como defende

É para isso que o esquema existe. Sem a bola, ele vira um bloco baixo: uma linha de cinco na largura da grande área, uma linha de três logo à frente e dois atacantes cortando o passe para o volante adversário.

Cinco defensores resolvem problemas que uma linha de quatro sofre para resolver. Cada ala pode ficar com um ponta sem que um zagueiro precise sair do meio. Um atacante que recua pode ser seguido por um zagueiro de lado, porque sobram dois. E os cruzamentos encontram três zagueiros centrais, não dois.

O ponto de pressão é o trio de meio-campo. Ele não consegue cobrir a largura toda sozinho, então precisa escolher entre proteger o meio e sair no jogador que recebe pelo lado.

De onde veio e quem o consagrou

A história passa pelo futebol defensivo italiano. A Wikipédia em português conta que o catenaccio nasceu nos anos 1930 das ideias do ferrolho suíço do austríaco Karl Rappan, foi levado ao futebol italiano por Nereo Rocco, então técnico da Triestina, e chegou ao auge com a Inter de Helenio Herrera, bicampeã europeia nos anos 1960. A base era um líbero fixo atrás de uma linha de marcadores.

No Brasil, a linha de cinco tem duas Copas para lembrar. Em 1990, segundo a Wikipédia, a Seleção usou pela primeira vez na história um 3-5-2, com Mauro Galvão como líbero, e caiu nas oitavas diante da Argentina, num gol de Caniggia depois de uma arrancada de Maradona. Em 2002 o desenho voltou, e dessa vez com título. Felipão escalou Lúcio, Edmílson e Roque Júnior atrás, Gilberto Silva e Kléberson como volantes e Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho na frente, e a final terminou 2 a 0 sobre a Alemanha, com dois gols de Ronaldo.

O ponto é que aquele time defendia com cinco e atacava com Cafu e Roberto Carlos lá em cima. Em entrevista ao ge, reproduzida pelo jornal A Tarde, o técnico Geninho contou que ajudou Felipão a montar o esquema: ele tinha sido campeão brasileiro de 2001 com o Athletico jogando com três zagueiros, e Felipão tinha dois laterais muito ofensivos. Segundo o mesmo texto, a linha de três zagueiros foi o jeito de soltá-los como alas.

Na Europa, o Coaches' Voice credita a Antonio Conte a volta do 3-5-2 à moda, na Juventus, e lembra que ele o levou depois à Inter, ao Chelsea e ao Tottenham. José Mourinho chegou a uma final de Liga Europa com a Roma no mesmo desenho.

Pontos fortes e fracos

Os pontos fortes são claros. Largura e profundidade ficam cobertas ao mesmo tempo, então é difícil achar espaço nas costas ou um homem livre pelo lado. O zagueiro que sobra permite aos outros defender de forma agressiva. Dois atacantes mantêm viva a ameaça do contra-ataque mesmo com o time encurralado. E a espinha dorsal, três zagueiros, um volante e dois atacantes, é forte pelo meio.

Os pontos fracos vêm das mesmas escolhas. Com cinco defensores e dois atacantes, sobram só três no meio, que podem ser superados por um time com quatro ou cinco jogadores centrais. Os alas correm demais, e se cansam o time perde a largura. Acima de tudo, um 5-3-2 que defende recuado por muito tempo entrega a bola e o território ao adversário, e pode sofrer muitos chutes de fora e cruzamentos.

Como muda com e sem a bola

Com a bola, os alas sobem e o desenho vira 3-5-2, ou 3-3-4 quando os dois alas chegam à linha da frente. Sem a bola é o 5-3-2. Se um atacante recua para ajudar o meio, vira um 5-4-1, a variante ainda mais defensiva. O 5-3-2 também faz parte da família da linha de três zagueiros e é uma base natural de rest defence: mesmo com os alas lá em cima, três zagueiros e um volante ficam atrás da bola.

Como reconhecer e como vencer

Para reconhecê-lo, olhe os jogadores de lado no momento da perda. Se eles disparam de volta para ficar na linha de três zagueiros, o time está num 5-3-2. Se ficam no meio-campo, é mais um 3-5-2 ou um 3-4-3. Dois atacantes que ficam lá em cima enquanto todo o resto recua é a outra pista.

Para vencê-lo, ataque o trio de meio-campo. Sobrecarregue o centro com um meia a mais e inverta rápido, porque três jogadores não basculam tão rápido quanto a bola viaja. Prenda os alas com pontas altos e abertos para que não possam sair no contra-ataque. E, quando perder a bola, proteja primeiro o espaço atrás dos seus laterais, porque é exatamente ali que o 5-3-2 quer contra-atacar. Para entender cada função citada aqui, veja as posições do futebol.

O 5-3-2 é a mesma coisa que o 3-5-2?

As posições são as mesmas. A diferença é onde os alas ficam e o que priorizam. No 3-5-2 eles jogam como meio-campistas e sobem; no 5-3-2 começam na linha dos zagueiros e defendem primeiro. A maioria dos times passa de um para o outro várias vezes no mesmo jogo.

O 5-3-2 é um esquema defensivo?

Em geral, sim. Com cinco defensores e os alas começando recuados, foi feito para proteger a área e contra-atacar. Com alas ofensivos dá para jogá-lo com ousadia, como o Brasil fez em 2002 com Cafu e Roberto Carlos.

Qual foi o esquema do Brasil na Copa de 2002?

Um 3-5-2 com Lúcio, Edmílson e Roque Júnior na zaga e Cafu e Roberto Carlos nas alas. Sem a bola os alas recuavam e a linha virava de cinco; com ela, os dois subiam ao lado de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.

O 5-3-2 joga com líbero?

Pode jogar. Historicamente, o zagueiro do meio era muitas vezes um líbero atrás de dois marcadores, como no catenaccio. As versões modernas costumam deixar os três zagueiros na mesma linha e marcar por zona, e o do meio organiza em vez de fazer a sobra.

Coloque o 5-3-2 na prancheta tática.

Fontes e leitura complementar

  1. Brasil na Copa do Mundo FIFA de 2002 — Wikipédia
  2. Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1990 — Wikipédia
  3. Ex-Vitória revela que ajudou Felipão a montar tática do penta em 2002 — A Tarde
  4. Catenaccio — Wikipédia
  5. The 3-5-2 formation: football tactics explained — Coaches' Voice