Esquemas e funções · Análise

Volante box-to-box: o segundo volante que vai de uma área à outra

O volante box-to-box marca perto da própria área e chega na do rival. A função, o segundo volante, a camisa 8, Paulinho e o elemento surpresa.

Campo de futebol com um time num 4-3-3; o volante box-to-box aparece destacado em vermelho, por dentro do meio-campo, e a faixa que ele cobre, de uma área à outra, está sombreada.
Imagem: Touchline Notes

O volante box-to-box é o meio-campista que joga de uma área à outra: desarma perto da própria área e, segundos depois, aparece na área adversária para finalizar. No Brasil ele é o segundo volante que chega, o elemento surpresa, muitas vezes o camisa 8.

"Box" é a grande área em inglês, e o nome descreve mais uma carga de trabalho do que um lugar fixo no campo. O primeiro volante fica plantado na frente da zaga. O box-to-box cobre o campo inteiro: pressiona, recupera, liga a defesa ao ataque e soma mais um homem na área quando o time ataca. É uma das posições do futebol que mais exigem fôlego.

O que o volante box-to-box faz com e sem a bola

Com a bola, ele:

  • recebe dos zagueiros e do primeiro volante e faz a bola andar, no passe ou na condução pelo meio;
  • tabela com o centroavante, inverte o lado e arrisca o chute de fora da área;
  • faz a chegada: entra atrasado na área, quase sempre entre os zagueiros, para finalizar a jogada que começou pelo lado.

A Wikipédia em português resume essa última parte como "fator surpresa": o jogador invade a grande área para chegar finalizando de primeira. É a parte que diferencia o box-to-box de um volante comum.

Sem a bola, ele:

  • acompanha o meia adversário que entra pelo meio, até a própria área se for preciso;
  • fecha a linha de passe para o centroavante rival, principalmente numa dupla de volantes;
  • é o primeiro a apertar quem roubou a bola, por isso combina com times que fazem gegenpressing e vivem das transições.

Os nomes no Brasil: segundo volante, volante de chegada, camisa 8

Aqui o termo inglês convive com um vocabulário antigo. "Volante box-to-box" é como a imprensa e os sites de análise chamam o jogador hoje. No dia a dia do torcedor, porém, ele é o segundo volante: o que sai mais para o jogo enquanto o primeiro segura. Quando a função é sobretudo atacar o espaço, fala-se em volante de chegada ou em elemento surpresa, a expressão que os jornais usavam para Paulinho na Seleção de Tite.

O número é o 8. Na tabela brasileira, o 5 é o primeiro volante e o 8 é o segundo volante ou o meia que liga os setores. Só que o 8 brasileiro nem sempre foi de quem corre. Na Copa de 1970, a camisa 8 era de Gérson, o "Canhotinha de Ouro", o cérebro do time e um meia de lançamentos longos. Em 1982 ela estava com Sócrates. Um blog de história do futebol reclama que a 8 de Gérson e Sócrates passou depois para volantes como Dunga e Gilberto Silva. A queixa é de saudosista, mas mostra a mudança: o 8 deixou de ser o meia ponta de lança e virou o volante que também ataca.

Tipos: o que chega, o que conduz, o meia-volante

Nem todo box-to-box joga igual. Três perfis aparecem mais.

O volante de chegada vive da infiltração. Paulinho é o exemplo brasileiro mais claro. Com Tite no Corinthians, foi campeão brasileiro em 2011, da Libertadores e do Mundial em 2012, este numa final contra o Chelsea, e paulista em 2013, vestindo a 8. Na Copa das Confederações de 2013 levou a Bola de Bronze. Na Seleção, de novo com Tite, aparecer no ataque como elemento surpresa virou rotina nas Eliminatórias, segundo o Estadão. Na Copa de 2018 fez o primeiro gol dos 2 a 0 sobre a Sérvia. A Wikipédia o registra como o volante com mais gols na história da Seleção.

O condutor ganha a bola e a leva ele mesmo, rompendo linhas em velocidade. É o perfil mais associado ao box-to-box europeu. O Onze News, numa lista dos melhores volantes box-to-box em atividade na Europa, põe Federico Valverde no topo e cita Moisés Caicedo como exemplo da função.

O meia-volante marca como volante e joga como meia. Bruno Guimarães é o caso atual. Saiu do Athletico Paranaense, onde ganhou a Sul-Americana de 2018 e a Copa do Brasil de 2019. Passou pelo Lyon de 2020 a 2022, período em que, segundo a Wikipédia, evoluiu "tanto de volante quanto de meia", e chegou ao Newcastle em 2022. Também é campeão olímpico pelo Brasil nos Jogos de Tóquio.

Box-to-box, mezzala, regista

Os meio-campistas costumam ser divididos em três famílias: os que protegem, os que criam e os que carregam. O box-to-box é o que carrega, o que ganha a bola e a leva para a frente, ou aparece atrasado na área.

O mezzala é parente próximo. Também sai do meio para atacar, mas parte de um trio e se abre em diagonal para o meio-espaço e o corredor. O segundo volante clássico sobe pelo centro e ataca a área. O regista é o oposto: fica atrás e dita o ritmo no passe, como fazia Gérson.

Como ele entra nos esquemas

O papel muda com o desenho do meio-campo.

  • Na dupla de volantes, como no 4-2-3-1, um segura e o outro sai. É o cenário natural do segundo volante, que chega à área para acompanhar o centroavante. Mais detalhes na página da dupla de volantes.
  • No 4-4-2 em linha, os dois meias centrais dividem o campo inteiro. O 4-4-2 foi o berço do box-to-box inglês, porque os dois do meio precisavam defender e atacar.
  • No trio do 4-3-3, há um volante fixo e dois meias por dentro. Um pode recuar para ajudar na saída enquanto o outro ataca a área. Os dois atacam pelos lados do volante, o que torna o trio mais equilibrado que a dupla.

Desde que o 4-4-2 em linha perdeu espaço, o box-to-box puro ficou mais raro. Muitos meias de hoje jogam mais por dentro e combinam mais, com menos corridas de uma área à outra.

O que os números mostram

O box-to-box deixa rastro nas duas pontas do campo. A recuperação aparece em desarmes, interceptações e pressões e recuperações. Levar a bola para a frente aparece nos passes progressivos e nas conduções. A chegada aparece nas entradas na área, nos toques dentro da área e nos gols esperados de finalizações vindas de trás. Quem é forte nas três coisas é raro. Por isso um 8 completo vale tanto no mercado.

Como achar o box-to-box numa partida

Olhe os volantes no momento em que o time rouba a bola. O primeiro volante fica. O box-to-box é o que passa correndo pela bola e aparece na área três, quatro segundos depois. Depois olhe o momento em que o time perde a bola: ele costuma ser o primeiro a apertar o adversário e, logo em seguida, o que volta em disparada.

O que é um volante box-to-box?

É o meio-campista que defende perto da própria área e ataca a área adversária. Desarma, pressiona e acompanha os meias rivais, depois conduz a bola ou chega de surpresa na área para finalizar ou dar o passe.

Qual a diferença entre volante box-to-box e segundo volante?

Na prática, quase nenhuma. Segundo volante é o nome brasileiro para o volante que sai mais para o jogo numa dupla. Box-to-box é o termo inglês que destaca a cobertura de campo e a chegada à área. Todo bom box-to-box joga como segundo volante, mas nem todo segundo volante chega tanto à área.

O que faz o camisa 8 no futebol?

No Brasil, o camisa 8 é o segundo volante ou o meia que liga a defesa ao ataque. Ele joga ao lado ou à frente do primeiro volante, o 5, e atrás do meia-armador, o 10, e costuma correr nos dois sentidos.

Quem são os melhores volantes box-to-box?

Entre os brasileiros, Paulinho é o exemplo clássico do volante de chegada, e Bruno Guimarães é o meia-volante mais completo da geração atual. Fora do Brasil, Federico Valverde e Moisés Caicedo aparecem entre os melhores em atividade.

Explore esta posição no quadro tático.

Fontes e leitura complementar

  1. Volante (futebol) — Wikipédia
  2. Insistência de Tite em nomes questionados é uma das marcas de campanha vitoriosa — Estadão (via Meon)
  3. José Paulo Bezerra Maciel Junior — Wikipédia
  4. Volante Box to Box: confira os melhores atuando na Europa — Onze News
  5. Eles jogavam com a 8! Mas tinham a genialidade dos camisa 10 — História do Futebol