Esquemas e funções · Análise
Volante: o camisa 5 que protege a zaga e faz o time jogar
O volante joga à frente da zaga: marca, desarma e faz a bola andar. Primeiro e segundo volante, cabeça de área, camisa 5 e exemplos da Seleção.
O volante é o meio-campista que joga logo à frente dos zagueiros, protegendo a defesa sem a bola e dando a ela um passe seguro com a bola. No Brasil ele é o primeiro volante, o cabeça de área, o camisa 5.
Todo time precisa defender o espaço entre a zaga e o meio-campo. Quando o treinador entrega esse espaço a um jogador só, ele vira a dobradiça do time. É o primeiro a receber depois dos zagueiros, o último meio-campista antes da área e, quase sempre, quem decide a velocidade com que o time sai da defesa para o ataque. É uma das onze posições do futebol.
O que o volante faz sem a bola e com a bola
Sem a bola, o trabalho tem três partes. Primeiro, fechar: ficar nas linhas de passe que levam ao centroavante e à zona 14, para que o passe reto não exista. Depois, cobrir: ocupar o buraco quando um zagueiro sai para o combate ou quando o lateral ficou lá na frente. Por fim, recuperar: desarmar, interceptar ou chegar antes na segunda bola.
Com a bola, o trabalho é fazer a bola andar. O volante encosta nos zagueiros para receber, gira ou toca de primeira e inverte o lado quando um corredor está congestionado. Um bom 5 quase não perde a bola, porque um erro nessa faixa deixa o adversário de frente para a zaga. Na saída de bola, é nele que a pressão adversária pensa primeiro.
Os nomes: volante, primeiro volante, cabeça de área, camisa 5
"Volante" é palavra nossa e tem dono. Vem do argentino Carlos Martín Volante, que jogou no Flamengo nas décadas de 1930 e 1940. A posição dele pedia muita movimentação, marcação forte e participação na construção. Torcedores e jornalistas passaram a chamar de "volante" quem jogava daquele jeito, e o sobrenome virou o nome da posição.
Os outros nomes dizem onde ele joga e como:
- Primeiro volante é o mais recuado, colado à zaga, focado em marcar, proteger e recuperar a bola.
- Cabeça de área é o nome mais antigo do mesmo jogador, o que fica plantado na frente da grande área.
- Volante de contenção é o rótulo de quem segura o meio, quase sem ir ao ataque.
- Camisa 5 é o número. Aqui ele ficou com o meio-campo central, e não com a zaga, como na Inglaterra. Por isso, no Brasil, 5 é volante e 6 é lateral-esquerdo, enquanto os alemães chamam o mesmo jogador de Sechser, o "seis".
Em Portugal se fala em "médio defensivo". No Brasil, "volante" resolve, e o resto é adjetivo.
Tipos de volante: contenção, construtor e o que chega
Quase todo volante cai num de três perfis. Poucos são puros, e o treinador costuma juntar dois perfis diferentes na mesma dupla de volantes.
O volante de contenção é o marcador. Desarma, ganha o duelo e entrega simples. Mauro Silva foi o modelo dos anos 1990. Jogou as sete partidas da Copa de 1994 e passou treze temporadas no Deportivo La Coruña, de 1992 a 2005, interceptando e segurando a posse. Gilberto Silva fez o mesmo papel no penta de 2002: assumiu a vaga do lesionado Emerson, jogou todos os sete jogos e ganhou o apelido de "Muralha Invisível". Depois foi peça dos Invencíveis do Arsenal, campeões ingleses sem derrota em 2003-04.
O volante construtor é o que organiza. Recebe dos zagueiros, dita o ritmo e quebra linhas com passe vertical ou lançamento. Na versão mais criativa ele vira o regista dos italianos. Na Copa de 1994, Dunga tinha algo disso: com a bola, Mauro Silva ficava mais recuado e Dunga subia quase como um meia. A Trivela o coloca entre os melhores controladores de jogo da história das Copas.
O volante que chega cobre o campo nos dois sentidos e conduz a bola para a frente. É o segundo volante, perto do meia, e às vezes faz o papel do mezzala num meio de três. Clodoaldo, do Santos, jogou assim em 1970: marcava bem dos dois lados e, na final contra a Itália, deu quatro dribles seguidos no lance do quarto gol.
Casemiro é o exemplo moderno que junta quase tudo. Saiu da base do São Paulo, jogou no Real Madrid de 2013 a 2022 e ganhou cinco Champions League.
O volante na história do futebol brasileiro
A camisa 5 virou marca do "cão de guarda" do time nos anos 1960 e 1970, segundo o Lance!, com Clodoaldo como figura central de 1970. Vinte anos depois, o volante virou assunto nacional. Depois da Copa de 1990, a Seleção de Sebastião Lazaroni apostou em força física e marcação, e a imprensa batizou aquilo de "Era Dunga". O termo é atribuído a Paulo Roberto Falcão. Era o rótulo de um futebol de força e marcação, menos preocupado com o espetáculo.
A resposta veio em 1994. Com Parreira, Dunga foi o capitão do tetra e levantou a taça nos Estados Unidos. A base era um 4-4-2 que virava 4-2-2-2, com Mauro Silva e Dunga lado a lado. O volante que tinha dado nome à era criticada de 1990 virou o capitão do título. Em 2002 a história se repetiu com Gilberto Silva: segundo a Veja, ele "carregou o piano" para Ronaldo e Rivaldo brilharem.
Um volante ou dois
O 4-3-3 costuma jogar com um volante só, na base de um trio. Ele tem dois meias à frente para pressionar e correr, mas precisa cobrir a largura do campo sozinho quando o time perde a bola. O 4-2-3-1 e o 4-2-2-2 brasileiro usam dois volantes lado a lado, um mais preso e outro que sai. A defesa fica mais protegida, e um pode avançar enquanto o outro segura.
Com a bola, é comum o volante recuar entre os zagueiros. O time sai com três atrás, os laterais sobem e os dois atacantes adversários passam a ter três defensores para pressionar. O movimento também arruma o rest defence: o 5 já está atrás da bola se o ataque der errado. Há treinadores que chegam ao mesmo desenho por outro caminho, com o lateral invertido entrando no meio enquanto o volante fica onde está.
O que os números mostram, e o que escondem
O melhor trabalho do volante quase nunca aparece nos melhores momentos. Por isso os analistas olham alguns dados. A recuperação aparece em pressões e recuperações e interceptações. A distribuição aparece no acerto de passe, nos passes progressivos e na rede de passes do time, em que um bom 5 costuma ficar no centro, com as ligações mais grossas. O que os números não pegam é o passe que ele impediu só por estar no lugar certo.
Como achar o volante numa partida
Olhe o time quando o goleiro ou um zagueiro está com a bola. O volante é quem aparece no meio para receber, muitas vezes de costas para o gol adversário. Depois, olhe o momento em que o time perde a bola. O volante é o meio-campista que não sai correndo para a frente: ele para, vira e fecha o meio.
O que faz um volante no futebol?
O volante protege a zaga, marca os meias adversários, cobre os laterais quando eles sobem e começa as jogadas. Sem a bola, fecha o caminho para a área; com ela, faz a bola chegar a quem pode criar.
Qual a diferença entre primeiro e segundo volante?
O primeiro volante é o mais recuado e defensivo, colado aos zagueiros e focado no desarme. O segundo volante sai mais para o jogo, ajuda na marcação mas se aproxima dos meias para construir. Na Copa de 1994, Mauro Silva era o primeiro e Dunga, o segundo.
Por que o volante usa a camisa 5?
Porque, na numeração antiga, o 5 era o médio do centro. Na Inglaterra ele recuou para a zaga; na América do Sul ficou no meio-campo. No Brasil, a camisa 5 passou a identificar o primeiro volante, de Clodoaldo a Casemiro.
Qual a diferença entre volante e meio-campista?
Todo volante é meio-campista, mas nem todo meio-campista é volante. Meio-campista é qualquer jogador entre a defesa e o ataque. Volante é o que tem a marcação à frente da zaga como trabalho principal.