Esquemas e funções · Análise

Dupla de volantes: dois jogadores, uma tarefa na frente da zaga

A dupla de volantes são dois meio-campistas lado a lado na frente da zaga, base do 4-2-3-1. Como dividem o trabalho, de Dunga e Mauro Silva ao futebol atual.

Os dois volantes do 4-2-3-1 destacados à frente da defesa.
Imagem: Touchline Notes

A dupla de volantes são dois meio-campistas que jogam lado a lado na frente da defesa, entre os zagueiros e os meias ofensivos. Juntos, respondem pela faixa mais valiosa do campo: o espaço diante da última linha. É a base mais reconhecível do 4-2-3-1, mas também aparece à frente de uma linha de três e no 4-4-2.

A palavra "volante" é invenção brasileira. Ela vem do argentino Carlos Martín Volante, que brilhou no Flamengo entre os anos 1930 e 1940. Com o tempo, o sobrenome passou a designar a função que ele exercia. Em inglês, a mesma estrutura é chamada de double pivot. No Brasil, o torcedor costuma dividir a dupla em primeiro e segundo volante. O primeiro, o antigo cabeça de área, fica mais perto dos zagueiros e se destaca pelos desarmes. O segundo sai mais para o jogo, ajuda na marcação e se aproxima dos meias.

As duplas históricas da Seleção

A Seleção deu os exemplos mais conhecidos. Em 1970, Clodoaldo era o volante combativo e Gérson organizava o jogo ao lado dele. No tetra de 1994, Carlos Alberto Parreira usou Mauro Silva e Dunga. Com a bola, Mauro Silva ficava mais recuado, e Dunga subia e jogava quase como um meia. A Trivela descreve aquele 4-4-2 brasileiro virando rapidamente um 4-2-2-2 na posse. Entre os brasileiros atuais, Casemiro é um exemplo frequente em textos que explicam a função.

Como os dois volantes se dividem

A divisão clássica é um marcador e um passador: um recupera, o outro usa a bola. Essa divisão ainda existe, mas as melhores duplas são mais difíceis de rotular. O que importa é que os dois nunca estejam na mesma linha ao mesmo tempo. Quando um sobe para pressionar ou apoiar, o outro segura. Quando um se aproxima dos zagueiros para receber, o outro se posiciona na diagonal, atrás ou à frente. Assim a dupla oferece sempre dois ângulos de passe, e não um. Dois volantes parados lado a lado, pedindo a bola no pé, são fáceis de marcar e pouco úteis para os zagueiros.

A dupla com e sem a bola

Na saída de bola, a dupla é a primeira plataforma. Contra dois atacantes, um volante pode recuar entre os zagueiros para formar uma linha de três, enquanto o outro fica além da primeira linha de pressão. Contra um atacante só, os dois podem ficar mais altos e formar um quadrado com os zagueiros. São também os jogadores naturais para inverter o jogo e achar o passe que quebra linhas até o camisa 10 e os pontas.

Sem a bola, a dupla fecha os passes para os jogadores mais perigosos do adversário, os que querem receber entre as linhas na zona 14. Quando um salta para pressionar, o outro vigia o espaço deixado. Se os dois correm atrás da bola ao mesmo tempo, um passe simples encontra o rival livre no funil. A dupla também cobre os laterais que subiram e forma o núcleo da rest defence: com os dois zagueiros atrás, compõe um bloco 2+2 no meio quando o resto do time ataca. É essa segurança que permite ter um camisa 10 com pouca obrigação defensiva.

Dupla ou volante único

A comparação que importa é com o volante único do 4-3-3. Um só volante libera um jogador a mais para atuar à frente, mas precisa cobrir a largura do campo sozinho, e os espaços ao lado dele são onde o 4-3-3 sofre. Dois volantes fecham esses espaços ao custo de um homem lá na frente. A dupla é mais segura; o volante único, mais ambicioso. Muitos times alternam entre os dois durante o jogo, conforme o placar.

A fraqueza da dupla está no que ela tira. Dois jogadores recuados deixam o time com menos gente chegando à área. Se os dois ficam colados na defesa, abre-se um buraco até os atacantes e o time se parte em dois. Contra um meio-campo de três, a dupla também pode ficar em inferioridade, a menos que o camisa 10 recue para ajudar. Um regista pode fazer parte da dupla, desde que o parceiro complemente a organização com marcação.

A dupla de volantes costuma juntar um primeiro volante fixo com outro mais dinâmico. Esse segundo jogador se aproxima do volante box-to-box: avança para apoiar o ataque e chegar na área enquanto o parceiro protege a zaga.

Jogar com dois volantes ou com um é uma escolha com custo dos dois lados: proteção na frente da zaga contra jogadores livres para atacar. A comparação um volante ou dois volantes coloca as duas opções lado a lado.

Qual a diferença entre primeiro e segundo volante?

O primeiro volante é o mais defensivo. Joga colado aos zagueiros, desarma e participa pouco do ataque. O segundo volante também marca, mas sai mais para o jogo, cobre os laterais e se aproxima dos meias para ajudar na criação. Numa boa dupla, os papéis podem se inverter durante a partida, desde que um sempre fique quando o outro sai.

De onde vem o nome volante?

A palavra volante é invenção brasileira. Ela vem do argentino Carlos Martín Volante, que brilhou no Flamengo entre os anos 1930 e 1940. Com o tempo, o sobrenome dele passou a designar a função que exercia, a de proteger a defesa no meio-campo. Em inglês, a estrutura com dois desses jogadores lado a lado é chamada de double pivot, a dupla de volantes.

Quais foram as duplas de volantes mais famosas da Seleção?

Em 1970, Clodoaldo era o volante combativo e Gérson organizava o jogo ao lado dele. No tetra de 1994, Carlos Alberto Parreira usou Mauro Silva e Dunga: com a bola, Mauro Silva ficava mais recuado e Dunga subia, quase como um meia. Entre os brasileiros atuais, Casemiro é um exemplo frequente em textos que explicam a dupla de volantes.

É melhor jogar com dupla de volantes ou com volante único?

Depende do que o time quer. Um volante único libera um jogador a mais à frente, mas precisa cobrir a largura do campo sozinho, e os espaços ao lado dele viram alvo. A dupla de volantes fecha esses espaços ao custo de um homem lá na frente. A dupla é mais segura; o volante único, mais ambicioso. Muitos times alternam entre os dois durante o jogo, conforme o placar.

Explore esta posição no quadro tático.

Fontes e leitura complementar

  1. Double pivot: football tactics explained — The Coaches' Voice
  2. The 4-2-3-1: football tactics explained — The Coaches' Voice