Esquemas e funções · Análise

Esquema tático 4-1-4-1: um volante sozinho, duas linhas de quatro e o esquema que levou Tite à Seleção

O 4-1-4-1 tem quatro defensores, um volante, uma linha de quatro meias e um centroavante. Como ataca, como defende e por que Tite o levou à Seleção.

Diagrama de um 4-1-4-1 no campo: linha de quatro defensores, um único volante destacado em vermelho à frente dela, uma linha de quatro meio-campistas e um centroavante.
Imagem: Touchline Notes

O 4-1-4-1 é um esquema tático com quatro defensores, um único volante, uma linha de quatro meio-campistas e um centroavante. É, antes de tudo, um desenho para defender: o volante protege o espaço à frente da zaga enquanto duas linhas de quatro deixam o time compacto.

No papel, ele usa as mesmas onze posições do 4-3-3. A diferença está na altura dos jogadores de lado. No 4-3-3 os pontas começam lá em cima, na linha do centroavante. No 4-1-4-1 eles começam mais atrás, ao lado dos dois meias centrais, e o time ganha uma linha inteira de quatro entre o volante e o atacante. Por isso a maioria dos times que "joga no 4-1-4-1" está, na verdade, jogando um 4-3-3 que recua os pontas quando perde a bola.

No Brasil, o esquema tem dono na memória do torcedor: Tite. Foi com ele que o Corinthians atropelou o Brasileirão de 2015, e foi com ele que a Seleção se classificou para a Copa de 2018.

O desenho, posição por posição

A linha de quatro é a de sempre: dois zagueiros e dois laterais. O que facilita a vida deles é o jogador logo à frente. Como o espaço entre a defesa e o meio já está ocupado, os zagueiros podem se preocupar com o que acontece às suas costas.

O "1" é o primeiro volante, sozinho entre as duas linhas. Segundo o Coaches' Voice, ele protege os espaços entre as linhas e raramente sobe para se juntar à linha de quatro. Na Seleção de Tite, esse jogador foi Casemiro, que ficava à frente da zaga cobrindo os buracos abertos na transição defensiva.

Os dois meias centrais são os camisas 8. Em geral são volantes box-to-box, que cobrem muito campo: sem a bola, marcam os meio-campistas rivais ou guardam uma zona; com ela, infiltram na área, muitas vezes por dentro dos meias abertos. É aqui que mora o segredo do esquema brasileiro. Paulinho, que chegava de trás como um atacante, é o exemplo mais claro.

Os dois meias abertos decidem o que o desenho é. Começam mais recuados do que um ponta de um trio de ataque, perto dos meias e do seu lateral. Na defesa fecham por dentro e acompanham o lateral adversário; no ataque viram pontas.

O centroavante joga sozinho. Pressiona os zagueiros, empurra a bola para um dos lados e, quando o time recupera, precisa segurá-la, muitas vezes contra dois, até o apoio chegar. Cada função está explicada com mais calma no nosso guia de posições do futebol.

Como o 4-1-4-1 ataca

Quase nenhum time ataca muito tempo no 4-1-4-1 propriamente dito. Com a bola, os meias abertos sobem e o desenho vira um 4-3-3. O Coaches' Voice observa que, por começarem mais atrás, esses jogadores precisam conduzir e driblar para levar a bola à frente, em vez de recebê-la já no alto.

A Seleção de Tite mostrou o melhor dessa transformação. Pela direita, Daniel Alves tabelava com Willian e Paulinho; pela esquerda, Marcelo atacava com Neymar e Renato Augusto. A circulação era rápida e montada em triângulos, segundo a análise do Coaches' Voice sobre aquele time. Depois do 4 a 1 sobre o Uruguai, fora de casa, em março de 2017, com três gols de Paulinho, Tite parecia ter encontrado o seu trio ideal: Casemiro atrás, Renato Augusto pela esquerda e Paulinho pela direita. Quando Renato Augusto se lesionou antes da Copa, Philippe Coutinho, que já jogava mais por dentro no Barcelona, virou uma das opções para o meio.

Como defende e pressiona

Sem a bola, o 4-1-4-1 fecha o meio. O centroavante pressiona os zagueiros ou se posiciona para cortar o passe para o volante deles. Os dois meias centrais saltam para ajudar, os abertos fecham por dentro e usam a linha lateral como um defensor a mais, e a linha de quatro bascula para o lado da bola.

A mesma forma serve para alturas muito diferentes. O Coaches' Voice conta que o Liverpool de Jürgen Klopp usava um 4-1-4-1 para defender logo dentro do campo adversário, enquanto o Tottenham de José Mourinho o usava em bloco médio e bloco baixo, com os volantes recuando entre os zagueiros. O Real Madrid de Carlo Ancelotti transformava o seu 4-3-3 num 4-1-4-1 com meias versáteis como Modric, Kroos, Valverde, Casemiro e Bellingham, e liberava Vinícius Júnior, pela esquerda, para ficar mais alto e puxar o contra-ataque.

De onde veio e quem o tornou famoso

A origem passa pelo Brasil. O Coaches' Voice lembra que o primeiro 4-3-3 de verdade costuma ser atribuído à Seleção campeã de 1958, que transformava o seu 4-2-4 num 4-3-3 ao atacar. Quando os treinadores adotaram o 4-3-3, recuar os pontas na defesa produziu o 4-1-4-1.

No futebol brasileiro, o esquema ganhou força em 2015. Um texto do blog A Prancheta Tática, de fevereiro daquele ano, falava numa possível "era" do 4-1-4-1 no país e listava técnicos que o adotavam: Tite no Corinthians, Cristóvão Borges no Fluminense, Marquinhos Santos no Coritiba e Eduardo Baptista no Sport. O Corinthians de Tite tinha sido campeão da Libertadores e do Mundial de 2012 num 4-2-3-1, segundo a Goal Brasil, mas foi no 4-1-4-1 que ganhou o Brasileirão de 2015 com a melhor defesa e o melhor ataque. A mesma reportagem descreve aquele time com posse de bola, compactação, transição em velocidade e infiltrações pelos corredores. Em 2016, Tite assumiu a Seleção e, segundo o Coaches' Voice, montou a campanha rumo à Copa no mesmo 4-1-4-1.

Pontos fortes e fracos

Os pontos fortes são a compactação e a flexibilidade. Com gente e cobertura no centro, é difícil atravessar o meio, o que faz do desenho uma boa base para bloco médio ou baixo. O volante ocupa a zona entre as linhas, justamente a que quase todo ataque quer usar. E o time muda de forma num só movimento: abertos para cima viram 4-3-3; um meia recuando ao lado do volante forma uma dupla de volantes e um 4-2-3-1.

Os pontos fracos vêm da altura em que o time defende. Depois de recuperar a bola ele está longe do gol e pode ser pressionado. Os meias abertos que defendem lá atrás chegam cansados ao contra-ataque. E o centroavante fica isolado: se os companheiros correm cedo demais para ajudá-lo, o bloco que deixaram fica menos compacto.

Como mudar de forma com e sem a bola

O 4-1-4-1 fica entre dois parentes. Com os abertos em cima, é um 4-3-3. Com o volante subindo para a linha dos meias, é um 4-5-1 achatado, que a Wikipédia em inglês chama de esquema conservador. O 4-1-4-1 é o meio-termo: pontas mais recuados que no 4-3-3, mas um meio-campo escalonado, não uma linha reta de cinco.

Quando um time no 4-1-4-1 tem a bola, repare se um lateral ou zagueiro entra no meio ao lado do volante. Isso forma um 3-2-4-1. Se perder a bola nesse desenho, o time depende da sua rest defence até conseguir voltar às duas linhas de quatro.

Como reconhecer e como vencer

Para reconhecê-lo, olhe o time sem a bola e conte as linhas: quatro atrás, um sozinho à frente, quatro na mesma altura e um lá na frente. Se o volante está na linha dos meias, é um 4-5-1. Se os abertos ficam ao lado do centroavante, é um 4-3-3.

Para vencê-lo, pressione logo depois de perder a bola, porque um time recuado precisa sair jogando sob pressão; o gegenpressing funciona bem aqui. Prenda os meias abertos com laterais que atacam, para que o contra-ataque não tenha saída. E coloque dois jogadores nas costas dos meias, um de cada lado do volante, para obrigá-lo a escolher qual espaço proteger.

Qual a diferença entre 4-1-4-1 e 4-3-3?

As posições são as mesmas: quatro defensores, um volante, dois meias centrais, dois jogadores de lado e um centroavante. No 4-3-3 os jogadores de lado começam altos, na linha do atacante. No 4-1-4-1 eles começam mais atrás, na linha dos meias. Muitos times atacam no 4-3-3 e defendem no 4-1-4-1.

O 4-1-4-1 é a mesma coisa que o 4-5-1?

Não exatamente. No 4-1-4-1 o volante fica sozinho entre a defesa e uma linha de quatro. No 4-5-1 ele sobe para a altura dos outros meias, formando uma linha reta de cinco. O mesmo time pode alternar entre os dois no mesmo jogo.

O 4-1-4-1 é um esquema defensivo?

Na maior parte do tempo, sim. Ele dá ao time duas linhas compactas com um volante protegendo entre elas, o que é difícil de atravessar. Para atacar, quase sempre os meias abertos sobem e o desenho vira um 4-3-3.

Qual era o esquema do Tite na Seleção?

Na campanha das Eliminatórias para a Copa de 2018, a base foi o 4-1-4-1, o mesmo do Corinthians campeão brasileiro de 2015. Casemiro era o volante; Paulinho e Renato Augusto, os meias; Neymar e Willian, os abertos.

Coloque o 4-1-4-1 na prancheta tática.

Fontes e leitura complementar

  1. A evolução tática de Tite e os esquemas utilizados pelo treinador para ser campeão — Goal Brasil
  2. 4-1-4-1: A possível "era" do esquema no Brasil — A Prancheta Tática
  3. Tite: Brazil's World Cup tactics — Coaches' Voice
  4. The 4-1-4-1 formation: football tactics explained — Coaches' Voice
  5. Formation (association football) — Wikipedia