Esquemas e funções · Análise

Lateral: o defensor do corredor que também precisa atacar

O lateral defende o corredor e apoia o ataque: ultrapassagem, cruzamento e linha de fundo. Camisas 2 e 6, tipos, a tradição brasileira e o ala.

Campo de futebol com um time num 4-3-3; o lateral aparece destacado em vermelho, pelo lado da linha de defesa, e o corredor que ele cobre está sombreado.
Imagem: Touchline Notes

O lateral é o defensor que joga pelo lado da linha de quatro, por fora dos zagueiros, e marca o ponta adversário. Com a bola, ele apoia o ataque pelo seu corredor, e isso faz dele uma das posições que mais correm em campo.

São dois: o lateral-direito, camisa 2, e o lateral-esquerdo, camisa 6, na numeração clássica brasileira. É uma das onze posições do futebol, e talvez a que o Brasil mais ajudou a reinventar. Por aqui, lateral que só defende sempre foi visto como meio jogador.

O que o lateral faz sem a bola

O primeiro trabalho é o um contra um. O lateral encara o ponta, tenta levá-lo para fora, longe do gol, e não pode dar o bote antes da hora. Ao mesmo tempo, mantém a linha com os zagueiros: a defesa sobe e desce junta. Quando a bola está do outro lado, ele fecha por dentro e cuida do segundo poste.

A Footure resume bem a exigência defensiva no modelo brasileiro: do lateral se pede mais inteligência de posicionamento do que intensidade. Saber onde estar vale mais do que ganhar todas as divididas.

Quando o time pressiona alto, o lateral sobe para apertar o lateral ou o meia aberto do adversário. Aí ele precisa vigiar a bola longa nas costas, no espaço que deixou. Depois de uma perda de bola, a corrida de volta para proteger o lado do zagueiro decide muitos contra-ataques. Por isso a posição pede fôlego e velocidade tanto quanto técnica de marcação.

O que o lateral faz com a bola

Com a posse, o lateral dá amplitude. Primeiro ele é a opção segura na saída de bola, aberto perto da linha. Depois, sobe conforme o que o ponta da frente faz. É o famoso "apoiar o ataque".

  • A ultrapassagem: o lateral passa por fora do ponta, em velocidade. O ponta pode tocar para ele ou usá-lo como isca para cortar para dentro, e o lateral adversário passa a ter dois atacantes para marcar.
  • A passagem por dentro: o lateral corre por dentro do ponta, no meio-espaço entre o lateral e o zagueiro rivais. Funciona melhor quando o ponta fica aberto e prende o marcador.
  • A bola final: o cruzamento da linha de fundo, o passe para trás na entrada da área, a enfiada pela lateral e a inversão para o outro lado.

A Footure explica por que a ultrapassagem virou marca daqui. No 4-2-2-2 clássico dos times brasileiros, os laterais eram os únicos jogadores ocupando o corredor. Sem ponta à frente, cabia a eles fazer o campo ficar largo.

Lateral, ala e lateral invertido: os nomes e as camisas 2 e 6

"Lateral" é o nome da posição no Brasil inteiro, com o lado junto: lateral-direito, lateral-esquerdo. Os números vêm da linha de quatro. A defesa brasileira ficou numerada com 2 para o lateral-direito, 3 e 4 para os zagueiros e 6 para o lateral-esquerdo. Por isso, aqui, "camisa 6" ainda quer dizer lateral-esquerdo, enquanto na Inglaterra o lateral-esquerdo veste o 3.

Duas palavras vizinhas causam confusão. O ala é o jogador de lado nos esquemas com três zagueiros: cuida do corredor inteiro sozinho e começa mais alto. O lateral invertido parte da linha de quatro, mas entra no meio-campo quando o time tem a bola, em vez de subir pela linha.

Tipos de lateral

O lateral de marcação fica em casa, defende o corredor e deixa o ataque para o ponta. Muitos times usam um desses do lado oposto ao lateral que apoia.

O lateral apoiador faz o corredor inteiro, nos dois sentidos, e é uma das principais fontes de cruzamento do time. É o tipo que o Brasil exportou. Cafu é o retrato: na Itália ganhou o apelido de "Pendolino", o trem expresso, pela velocidade e pelo fôlego.

O lateral construtor participa da armação, por fora ou por dentro. Quando entra de vez no meio-campo, vira o lateral invertido. Ele pede passe curto, calma sob pressão e leitura de onde está o espaço, coisas mais de meia do que de corredor.

A tradição brasileira dos laterais

A história começa com dois Santos, que não eram parentes. Nílton Santos jogou só pelo Botafogo, de 1948 a 1964, e ganhou o apelido de "Enciclopédia". A Wikipédia o chama de precursor em arriscar subidas ao ataque pela lateral, numa época em que a posição só defendia. Na Copa de 1958, contra a Áustria, saiu com a bola do campo de defesa, driblou quem apareceu e marcou.

Do outro lado estava Djalma Santos, de Portuguesa e Palmeiras. Em 1958 ele entrou só na final, no lugar de De Sordi. Mesmo com um jogo, foi eleito o melhor da posição naquele Mundial. Disputou quatro Copas, de 1954 a 1966.

Em 1970, Carlos Alberto Torres, o "Capita", fechou a final contra a Itália. Fez o quarto gol do 4 a 1, no fim de uma jogada coletiva com passe de Pelé, e levantou a taça como capitão do tri.

Depois vieram as duplas. A Footure lista Leandro e Júnior, Jorginho e Branco, Cafu e Roberto Carlos, Daniel Alves e Marcelo. Cafu jogou três finais de Copa seguidas, em 1994, 1998 e 2002, e levantou a taça do penta como capitão. Roberto Carlos, do Palmeiras e do Real Madrid, juntou velocidade e um chute de canhota raro. A falta contra a França, em 1997, de cerca de 35 metros, fez uma curva que virou tema de estudos científicos.

Dois laterais, dois trabalhos

Quase todo time equilibra os dois laterais. Se um apoia, o outro fica mais perto dos zagueiros, e o time mantém três defensores atrás da bola como rest defence. A escolha depende dos pontas. Um ponta que corta para dentro libera o corredor para a ultrapassagem; um ponta que fica aberto favorece a passagem por dentro ou o lateral invertido.

No 4-3-3, os laterais costumam carregar boa parte da amplitude, porque o trio de meio-campo joga fechado. No 4-4-2, dividem o corredor com um meia aberto. Já no 3-5-2, o lateral some e dá lugar ao ala, com a linha de três zagueiros cobrindo as costas.

O que faz um bom lateral

Velocidade e resistência vêm primeiro, porque a posição é uma sequência de arrancadas nos dois sentidos. Depois, marcação no um contra um e posicionamento quando a bola está do outro lado. Por fim, decisão no último terço: quando cruzar, quando tocar para trás e quando segurar a bola e recomeçar.

Como reconhecer a função dos laterais numa partida

Olhe para os laterais quando o zagueiro do lado tem a bola. Se um sobe pela linha e o outro fica na altura dos zagueiros, o time defende com três e ataca com um lateral só. Se um deles caminha até o lado do volante, é um lateral invertido. Depois, repare em quem passa por fora do ponta e em quem passa por dentro.

O que faz um lateral no futebol?

O lateral é o defensor que joga pelo lado da linha de quatro. Ele marca o ponta adversário e impede o cruzamento. Com a bola, apoia o ataque pelo corredor com ultrapassagens, cruzamentos e passes.

Qual a diferença entre lateral e ala?

O lateral joga numa linha de quatro, com um zagueiro ao lado e um ponta à frente, então divide o corredor. O ala joga à frente de três zagueiros e cuida do corredor inteiro sozinho. Por isso começa mais alto e ataca mais.

Por que o lateral-esquerdo usa a camisa 6 no Brasil?

Com a linha de quatro, a numeração brasileira ficou 2 para o lateral-direito, 3 e 4 para os zagueiros e 6 para o lateral-esquerdo. Na Inglaterra, o lateral-esquerdo veste o 3. Hoje a numeração é fixa por temporada, mas a tradição continua.

O que é ultrapassagem no futebol?

É quando o lateral passa por fora do ponta que está com a bola ou perto dela. A corrida cria dois atacantes contra um defensor e costuma terminar em cruzamento ou passe para trás.

Quem foram os maiores laterais do Brasil?

Nílton Santos e Djalma Santos abriram o caminho na Copa de 1958. Carlos Alberto Torres foi o capitão do tri em 1970. Cafu e Roberto Carlos jogaram juntos três Copas, e depois vieram Daniel Alves e Marcelo.

Explore esta posição no quadro tático.

Fontes e leitura complementar

  1. Uma breve história dos laterais brasileiros — Footure
  2. Nílton Santos — Wikipédia
  3. Djalma Santos — Wikipédia
  4. Cafu — Wikipédia
  5. Lateral (futebol) — Wikipédia