Esquemas e funções · Análise
Falso 9 e centroavante: o camisa 9 que sai da área e o que vive dentro dela
O falso 9 recua para o meio e tira os zagueiros do lugar; o centroavante fica entre eles e faz os gols. Tabela comparativa, esquemas e exemplos.
O falso 9 começa como centroavante, mas recua para o meio-campo, puxa um zagueiro para fora ou deixa os dois sem ninguém para marcar. O centroavante clássico fica entre os zagueiros, prende a linha, ataca as costas dela e faz a maior parte dos gols do time.
Na escalação, os dois ocupam o mesmo lugar. O que muda é a direção: um vem buscar a bola, o outro vai em direção ao gol. Essa escolha muda quem marca quem e quem faz os gols. Os artigos sobre o falso 9 e o centroavante explicam cada função; aqui elas ficam lado a lado.
| Falso 9 | Centroavante clássico (camisa 9) | |
|---|---|---|
| Onde fica | Começa na frente, recebe entre a defesa e o meio-campo rival | Na última linha, entre os zagueiros ou na frente deles |
| Trabalho principal | Ligar o meio ao ataque, criar um homem a mais, lançar quem infiltra | Fazer gol, atacar as costas da zaga, segurar a bola |
| Efeito nos zagueiros | Cria um dilema: segui-lo e abrir espaço, ou deixá-lo girar | Ocupa os dois e empurra a linha para trás |
| Quem faz os gols | Pontas e meias que chegam à área | Principalmente ele mesmo |
| Sem a bola | Pressiona como qualquer atacante | Começa a pressão nos zagueiros |
| Esquemas típicos | Atacante único do 4-3-3 | Atacante único do 4-3-3 ou do 4-2-3-1, ou um dos dois no 4-4-2 e no 3-5-2 |
| Exemplo | Messi no Barcelona de Guardiola; Tostão em 1970 | Ronaldo Fenômeno |
Os diagramas numerados mostram onde o 9 começa em cada esquema: o 4-3-3 e o 4-2-3-1 têm um, o 4-4-2 e o 3-5-2 têm dois. O falso 9 quase sempre é o atacante único, porque com um parceiro na frente os zagueiros sempre têm alguém para marcar.
Posição não é função
A Footure faz uma distinção útil: posição é uma coisa, função é outra. O lugar do centroavante comporta vários tipos de jogador. O texto descreve o centroavante de mobilidade, que sai da área para participar e abre espaço para os companheiros; o centroavante de área, que ganha pelo alto e prende os zagueiros; o centroavante de arraste, que conduz em velocidade; e o 9 completo, que junta tudo isso.
O falso 9 é um caso à parte. Segundo a Footure, ele depende dos outros, porque passa boa parte do tempo fora da área, e alguém precisa ocupar o espaço que ele deixa. Todo falso 9 é um atacante de mobilidade, mas nem todo atacante móvel é quase um meia.
O que cada um faz com os zagueiros
Aqui está o centro da diferença. O centroavante clássico joga contra os zagueiros. O Lance! lista a posição na área, a finalização com os dois pés e de cabeça e a leitura dos espaços entre os zagueiros como as atribuições do camisa 9. Cada vez que ele ameaça a corrida nas costas, a linha recua alguns metros, e o espaço entre a defesa e o meio-campo cresce para os companheiros.
O falso 9 joga longe deles. O Lance! descreve o dilema: os zagueiros precisam escolher entre acompanhar o atacante que recua ou manter a linha, e qualquer escolha abre espaço. Se um zagueiro o segue até o meio, deixa um buraco atrás para quem infiltra. Se fica, o falso 9 tem tempo para girar e passar ou driblar, de frente para o gol, na zona 14.
Com a bola
O trabalho do centroavante se concentra perto do gol. O Lance! resume a função em converter em gols as chances criadas pelos companheiros, e cita Ronaldo pela explosão física, a técnica apurada e o faro de gol. É a referência para onde o time joga.
O falso 9 precisa das qualidades de um meia numa posição de atacante. O Lance! o define como uma ponte entre o meio-campo e o ataque, que junta criação e finalização. Como vem buscar a bola, ele acrescenta um homem ao meio e cria superioridade numérica ali. O custo é que ninguém ocupa o centro do ataque até que outro chegue.
Sem a bola
Os dois pressionam. O falso 9 continua com as obrigações de um atacante quando o time perde a bola: pressiona na hora e fecha o passe para o meio-campo rival. O centroavante faz o mesmo, mas a partir de um ponto mais alto, normalmente apertando o zagueiro que está com a bola.
Quem faz os gols e de quem cada um precisa
Com um centroavante clássico, a bola vai até ele na área. Os pontas podem ser cruzadores que ficam abertos, e os meias podem ser passadores e ladrões de bola, não goleadores.
Com um falso 9, os gols precisam vir de outro lugar. A Footure lembra que o falso 9 depende de quem ataca os espaços que ele deixa. Por isso ele precisa de pontas que fazem gol e de meias que chegam à área, como o volante box-to-box ou o mezzala. Sem essas corridas, um time com falso 9 é só um time sem centroavante.
Exemplos
O Brasil viu um falso 9 antes de o termo existir. A Footure aponta a Seleção de 1970 como uma das primeiras vezes em que o futebol brasileiro pôde ver a função: Zagallo deixou Tostão flutuando fora da área, circulando a bola e lançando Pelé, Rivellino e Jairzinho.
O modelo moderno é Lionel Messi no Barcelona de Pep Guardiola, que, segundo o Lance!, popularizou a função; o mesmo texto cita Cesc Fàbregas e Roberto Firmino entre os exemplos. Fàbregas foi o falso 9 da Espanha no 4-3-3 da final da Euro 2012, em Kiev, em 1º de julho: 4 a 0 sobre a Itália. Depois veio o contraste. Fernando Torres, um centroavante de verdade, entrou no lugar dele aos 75 minutos e marcou aos 84.
Do lado do centroavante, o exemplo brasileiro é óbvio. Ronaldo foi o artilheiro da Copa de 2002 com oito gols, dois deles na final contra a Alemanha, segundo a Wikipédia em português. O Lance! observa que o futebol brasileiro é tradicionalmente associado a atacantes clássicos, e que Neymar e Gabriel Jesus já foram usados como falso 9, sinal de modernização tática.
Como diferenciar numa partida
Observe o centroavante quando o time tem a bola no próprio campo. Se ele volta até o círculo central e pede a bola no pé, é falso 9. Se fica na linha do último defensor, é centroavante. Depois, olhe os zagueiros rivais: contra um falso 9, um deles fica saindo da linha ou procurando quem marcar; contra um centroavante, eles seguram a posição. Por fim, veja quem chega à área quando a bola vai para o lado: se pontas e meias chegam primeiro, o 9 era falso.
Quando o técnico escolhe um ou outro
O falso 9 serve ao time que fica com a bola e tem pontas que fazem gol. Rende mais contra zagueiros que gostam de acompanhar, porque cada passo deles abre espaço atrás. Sofre contra um bloco baixo compacto, que não deixa espaço para recuar, e tira a referência para cruzamentos e lançamentos.
O centroavante clássico serve ao time que quer uma referência: cruzamentos, bolas longas, contra-ataques rápidos. Contra uma linha alta, um atacante correndo nas costas da zaga é a ameaça mais direta que existe. Muitos times têm os dois e escolhem conforme o adversário, ou trocam durante o jogo, como a Espanha fez com Torres em 2012.
Qual a diferença entre falso 9 e centroavante?
O centroavante fica entre os zagueiros, ataca as costas da linha e faz a maior parte dos gols. O falso 9 começa no mesmo lugar, mas recua para o meio para receber, obriga os zagueiros a escolher entre segui-lo e manter a linha, e deixa os gols para pontas e meias.
O falso 9 é um atacante?
Na escalação, sim: é o jogador mais avançado e ocupa a posição de camisa 9. Em campo, ele se comporta mais como um meia, recebendo entre as linhas e criando para os outros, mas continua pressionando como atacante quando o time perde a bola.
Por que um time joga com falso 9?
Para ganhar o meio-campo e confundir os zagueiros. Ao recuar, ele cria um homem a mais no meio, e se um zagueiro o segue, sobra espaço atrás para pontas e meias. Funciona melhor em times que têm a bola e pontas goleadores.
Quem foi o primeiro falso 9 do Brasil?
A Footure aponta Tostão, na Seleção de 1970, como uma das primeiras vezes em que o futebol brasileiro viu a função: ele flutuava fora da área, circulando a bola e lançando Pelé, Rivellino e Jairzinho.
Você pode colocar um 4-3-3 na prancheta tática.