Esquemas e funções · Análise

Segundo atacante: o parceiro que joga em volta do camisa 9

Segundo atacante é o parceiro do 9 que joga um pouco atrás dele, liga o meio ao ataque e também faz gols. Tabela, diagrama, exemplos e como reconhecê-lo.

Um 4-4-2 atacando para a direita num diagrama de campo. Um dos dois atacantes é um ponto vermelho sólido, com uma seta vermelha mostrando seu recuo em direção ao meio-campo até um ponto contornado entre as linhas, atrás do parceiro.
Imagem: Touchline Notes

O segundo atacante é o atacante da dupla de frente que joga em volta e um pouco atrás do centroavante. Ele recua entre as linhas do adversário para receber, liga o meio-campo ao ataque, cria para o parceiro e ainda faz os seus gols.

A Trivela lembra que, no Brasil, ele foi o dono da camisa 11 entre o fim dos anos 1980 e o começo dos 2000. A mesma tradição, como escreveu a revista em outro texto, divide os atacantes entre o ponta e vários ordinais: primeiro, segundo e até terceiro atacante. A Wikipédia em português registra outros nomes: avançado recuado, em Portugal, e às vezes ponta de lança, no Brasil. A melhor síntese é de Michel Platini sobre Roberto Baggio: "um nove e meio", meio atacante, meio meia.

Segundo atacante
Onde joga Na dupla de ataque, alguns metros atrás e ao lado do centroavante, muitas vezes entre as linhas
Tarefa principal Ligar o meio ao ataque, criar para o 9, finalizar de perto
Sem a bola Vigia o volante rival e ajuda o meio quando ele está em desvantagem
Esquemas típicos 4-4-2, 3-5-2, 4-4-1-1
Camisa Sem número fixo; no Brasil, muitas vezes a 11
Funções vizinhas Centroavante, meia-armador, falso 9, trequartista
Exemplos Bebeto, Edílson, Roberto Baggio, Dennis Bergkamp, Antoine Griezmann

No guia das posições do futebol, a função fica entre o 9 e o 10. A Wikipédia em português a define como uma posição vagamente definida e muitas vezes mal compreendida: uma função livre, em algum lugar entre o centroavante e o meia-atacante. Na Itália, ele é a seconda punta.

O que o segundo atacante faz com a bola

Ele recebe onde o centroavante não recebe. Enquanto o 9 fica na última linha, contra os zagueiros, o segundo atacante recua alguns metros para o espaço na frente deles, recebe de lado e joga para a frente. O atacante que vem da linha de frente é difícil de marcar, porque nenhum defensor sabe ao certo de quem ele é.

O exemplo brasileiro mais estudado é a dupla do tetra. A Trivela mostra que, em 1994, Bebeto saía da área, abria o campo para os lados e puxava um marcador para criar espaço. Com as mudanças no meio-campo durante a Copa, ele recuou cada vez mais para funções criativas e terminou como o jogador do Brasil com mais passes decisivos por jogo (2,6). Romário, enquanto isso, era o ponto final das jogadas.

  • Ligar. A bola chega nele; ele devolve, gira ou enfia para a corrida do parceiro.
  • Criar uma dúvida. Ao sair da posição, ele obriga um defensor a escolher: segui-lo para fora da linha ou passá-lo a um volante.
  • Finalizar. Ele continua sendo atacante. Muitos gols dele saem de perto, de uma chegada tardia nas costas do zagueiro.

A Wikipédia lista as qualidades que combinam com a função: chegar bem posicionado para receber, criar ou finalizar, e chutar com os dois pés. Acrescenta que muitos segundos atacantes são jogadores criativos de menor altura, por isso o gol de cabeça é menos comum entre eles.

O que o segundo atacante faz sem a bola

No 4-4-2, os dois atacantes são a primeira linha da defesa. Uma divisão comum é o centroavante pressionar os zagueiros enquanto o segundo atacante fica um pouco mais atrás, perto do volante rival, para que o primeiro passe pelo meio não saia livre. Contra um meio-campo de três, ele é o atacante que recua para ajudar.

É aqui que a função mais mudou. A Trivela ouviu o técnico Sérgio Soares e o scout Rafael Marques: os times passaram a proteger o corredor central e a empurrar o jogo para os lados, e o segundo atacante perdeu o espaço onde vivia. Para Soares, ele precisa hoje saber recompor e fazer a pressão sem a bola para ter lugar no time.

Depois da recuperação, a posição dele volta a contar. O Coaches' Voice descreve Griezmann no Atlético de Madrid ficando mais atrás e por dentro quando o time saía, segurando a bola e lançando as corridas de Luis Suárez. Isso faz do segundo atacante a primeira saída do contra-ataque.

Esquemas que usam um segundo atacante

A função pede um parceiro, então pertence aos sistemas com dois atacantes.

  • 4-4-2 (veja o desenho). A casa da função. Segundo a Trivela, Edílson no Corinthians, Paulo Nunes no Grêmio e no Palmeiras e Denílson no São Paulo marcaram época assim, ao lado de grandes centroavantes. O Coaches' Voice mostra como a dupla de volantes do Atlético deixava os laterais subirem e dava a Griezmann mais espaço para recuar. Quando o segundo atacante fica claramente atrás do parceiro, o desenho vira um 4-4-1-1.
  • 3-5-2 (veja o desenho). De novo dois atacantes, com dois meias por dentro. O segundo atacante pode abrir quando um deles passa à frente.
  • 3-4-2-1. Aqui ele vira um dos dois meias atrás de um 9 sozinho. O Coaches' Voice nota que Griezmann tinha menos liberdade nessa versão, preso a um lado e só às vezes entrando no meio-espaço.

Segundo a Trivela, foi o 4-2-3-1 que mais tirou espaço da função no Brasil: o segundo atacante foi recuado para a linha do meio, preso a um lado do campo e com mais obrigação defensiva. Ele virou, na prática, um ponta.

Exemplos

Bebeto é a referência brasileira: o parceiro que saía da área e criava para Romário no tetra de 1994.

Roberto Baggio é a referência mundial. A Wikipédia em inglês o descreve sobretudo como segundo atacante, às vezes meia ofensivo, e foi sobre ele que Platini usou a expressão "nove e meio", como lembra a Trivela. Ganhou a Bola de Ouro de 1993.

Antoine Griezmann é o exemplo moderno. O Coaches' Voice, em janeiro de 2022, notou que no Atlético ele costumava ser o mais recuado da dupla.

Como o segundo atacante se diferencia das funções vizinhas

Camisa 10 ou meia-armador. O 10 começa no meio e organiza o ataque. A Wikipédia em português faz a distinção: o segundo atacante se envolve menos na orquestração dos ataques do que o meia-atacante e trabalha sobretudo como fornecedor de assistências. O meia-armador tem mais a bola; o segundo atacante tem mais a área.

Falso 9. O falso 9 é o único atacante e sai da linha de frente, deixando os zagueiros sem ninguém para marcar. O segundo atacante recua enquanto o parceiro fica lá na frente, então os zagueiros sempre têm um homem diante deles. A comparação falso 9 e centroavante cobre o lado do atacante sozinho.

Trequartista. O trequartista é um armador que vive atrás dos atacantes e tem menos tarefas defensivas. O segundo atacante começa como atacante e é cobrado também por gols. A comparação mezzala e trequartista explica o trequartista em detalhe.

Ponta de lança. Cuidado com o falso amigo. Em Portugal, ponta de lança é o centroavante. No Brasil, a expressão às vezes aparece para o segundo atacante.

Como reconhecer um segundo atacante no jogo

Olhe a dupla de frente quando o time tem a bola. Se um atacante vem sempre curto, para o espaço na frente dos zagueiros, enquanto o outro fica na linha do último defensor, o que vem curto é o segundo atacante. Depois, veja o que ele faz com a bola: o segundo atacante gira e joga para a frente, e ainda chega atrasado na área quando a jogada vai para o lado.

Quando o treinador escolhe um segundo atacante

O treinador escolhe um quando quer dois atacantes mas não pode ter um 10 dedicado, que é a lógica de um 4-4-2 compacto. A função funciona menos contra um bloco baixo fechado, onde o espaço entre as linhas é pequeno demais para recuar. E pede ao meio-campo que cubra um atacante que não acompanha todas as corridas.

Qual a diferença entre segundo atacante e centroavante?

O centroavante é o jogador mais avançado e fica na última linha para finalizar. O segundo atacante joga em volta e um pouco atrás dele, recua para receber entre as linhas e cria além de fazer gols.

Segundo atacante é o mesmo que camisa 10?

Não, embora o mesmo jogador às vezes faça as duas coisas. O 10 começa no meio-campo e organiza o ataque. O segundo atacante começa como atacante, participa menos da construção e precisa fazer gols além de criar.

O que é um "nove e meio" no futebol?

É a definição de Michel Platini para Roberto Baggio: um jogador a meio caminho entre o camisa 9 e o meia. É a melhor síntese da função do segundo atacante.

Qual esquema usa segundo atacante?

Principalmente o 4-4-2 e o 3-5-2, os sistemas com dois atacantes. Quando o segundo atacante joga claramente atrás do parceiro, o 4-4-2 costuma ser escrito como 4-4-1-1.

Você pode colocar um 4-4-2 na prancheta tática.

Fontes e leitura complementar

  1. Ele não está morto: o segundo atacante mudou para não virar memória — Trivela
  2. "Mais que apenas atacantes" — Trivela
  3. A Seleção de 1994 jogou para Romário e todo mundo sabe… Mas como ela fez isso? — Trivela
  4. Atacante (futebol) — Wikipédia
  5. Antoine Griezmann: La Liga Player Watch — Coaches' Voice