Esquemas e funções · Análise
Centroavante de referência: o camisa 9 que recebe a bola longa
Centroavante de referência é o 9 forte que ganha a bola longa, faz o pivô e serve quem chega. Função em tabela, diagrama, exemplos e como reconhecê-lo.
O centroavante de referência é o camisa 9, geralmente alto e forte, cujo trabalho principal é ganhar a bola alta e longa, segurá-la de costas e colocar os companheiros no jogo. É o ponto para onde o time joga quando quer chegar à frente rápido.
No Brasil, "referência" é quase sinônimo de centroavante. A Wikipédia em português fala em "atacante de referência (conhecido no Brasil por centroavante)", e o Lance! define o camisa 9 como "o homem de referência na área". É um dos tipos de centroavante, e boa parte do seu trabalho é feita para os outros: a cabeçada ganha, a ajeitada, o toque de lado para o meia que chega. Em inglês, a função se chama target man. Quando ele recebe de costas e devolve, o Brasil diz que ele está "fazendo o pivô".
O centroavante de referência em resumo
| Onde joga | No meio do ataque, na última linha, entre os zagueiros ou na frente deles |
| Tarefa principal | Ganhar a bola longa e alta, segurar de costas, ajeitar ou escorar |
| Sem a bola | Fecha o passe para o meio, pressiona os zagueiros, ajuda na bola parada defensiva |
| Esquemas típicos | 4-4-2, 3-5-2, ou sozinho como 9 num 4-2-3-1 |
| Camisa | Tradicionalmente a 9, por costume e não por regra |
| Funções vizinhas | Homem de área, 9 completo, falso 9 |
| Exemplos | Serginho Chulapa, Didier Drogba, Olivier Giroud, Fernando Llorente |
O que ele faz com a bola
Muitos dos seus toques chegam pelo alto, de costas para o gol, com um zagueiro encostado nele. A Wikipédia descreve o padrão: jogadores altos e fortes são usados para chegar aos cruzamentos, ganhar a bola longa e segurá-la de costas enquanto o time avança. Isso faz dele a peça central de uma saída de bola direta, o caminho que pula o meio-campo quando a pressão rival torna o passe curto arriscado.
A Footure chama esse perfil de "centroavante de área": a referência para vencer duelos aéreos e segurar os zagueiros, sustentando a bola para quem chega. Segundo o site, ele gera menos jogo e mais imposição física, num time que prefere atacar de forma direta e com menos posse.
Com a bola dominada, ele tem três saídas. Toca para trás, para o meia que vem de frente. Escora para o companheiro de ataque que corre em diagonal. Ou gira e chuta. O Coaches' Voice resume as ferramentas: força para prender o zagueiro e toque para escorar, ajeitar e cabecear na direção de quem chega.
Ele é também o alvo dos cruzamentos. O time que tem um bom cabeceador na área tira mais dos seus jogadores de lado, e por isso o ponta clássico e o centroavante de referência formam uma dupla tão conhecida.
O que ele faz sem a bola
Como todo atacante, ele é o primeiro defensor. Numa dupla de ataque, o Coaches' Voice descreve os dois fechando o passe para o meio e pressionando os zagueiros, um subindo e o outro cobrindo. O centroavante de referência raramente é o mais rápido na pressão, então o trabalho dele é mais fechar ângulos do que correr atrás da bola.
Ele também dá ao time um destino sob pressão. O time acuado no próprio campo ou fechado em bloco baixo pode mandar a bola na direção dele em vez de só afastar. Se ele ganha, o chutão vira o começo de um contra-ataque.
Esquemas que usam um centroavante de referência
A casa natural é o 4-4-2. Os dois atacantes dividem o trabalho: um fica lá na frente e ganha a bola, o outro joga em volta dele, pegando as escoradas ou atacando a profundidade. Os meias de lado abrem o campo e cruzam. Você pode abrir o 4-4-2 na ferramenta de esquemas para ver como as duas linhas de quatro ficam atrás da dupla.
O 3-5-2 também usa dois atacantes. Na Juventus de Antonio Conte, Fernando Llorente jogava ao lado de Carlos Tevez. Segundo o Coaches' Voice, Llorente ficava adiantado como alvo principal dos cruzamentos dos alas e dos passes diretos da defesa ou de Andrea Pirlo, enquanto Tevez recuava. Llorente segurava a bola e tocava para Tevez, para os meias ou para os alas. O 3-5-2 da ferramenta de esquemas mostra o desenho.
Sozinho num 4-2-3-1, o trabalho fica mais duro. Não há ninguém do lado para pegar a escorada, então o camisa 10 e os pontas precisam chegar rápido.
Exemplos
Serginho Chulapa é o retrato brasileiro da função. A Trivela conta que, com 1,91 m, ele protegia a bola dos zagueiros para depois girar o corpo e chutar. Era "a referência são-paulina na área": fez 242 gols em 399 jogos pelo São Paulo e, segundo a reportagem de 2018, segue como maior artilheiro do clube. O próprio Serginho resumiu a filosofia: "centroavante não tem de jogar bem. Tem é de fazer gols". A mesma reportagem mostra o limite do perfil. Titular na Copa de 1982 depois do corte de Careca, ele reconhece que seu estilo mais corpulento não combinou com o tipo de jogo daquele time.
Fora do Brasil, a Wikipédia cita Didier Drogba, pela capacidade de segurar a bola, inclusive na final da Champions de 2012, além de Olivier Giroud e Fernando Llorente, ambos campeões do mundo.
Giroud na Copa de 2018 é o caso mais claro do valor da função. Segundo a Wikipédia, ele jogou as sete partidas da França sem acertar nenhum chute no gol em 13 tentativas, enquanto Antoine Griezmann e Kylian Mbappé fizeram quatro gols cada. O Guardian escreveu durante o torneio que Giroud fazia o papel de referência com generosidade, dando liberdade aos dois. A França venceu a Croácia por 4 a 2 na final.
Como ele se diferencia das funções vizinhas
O homem de área também joga na última linha, mas quase não toca na bola fora da área e não a segura de costas. O valor dele está em chegar na hora certa, não em ganhar a primeira bola.
O 9 completo faz o que a referência faz, mas também ataca a profundidade e recua para tabelar. A referência é a versão mais especializada, e em geral a menos móvel.
O falso 9 é quase o oposto. Ele sai da última linha para receber no meio, enquanto a referência fica nela e dá aos zagueiros alguém para marcar. A comparação falso 9 e centroavante mostra o que muda quando um time troca um pelo outro.
Como reconhecer um centroavante de referência no jogo
Observe os tiros de meta e os lançamentos da defesa. Se eles vão sempre para o mesmo atacante, e os zagueiros se revezam para disputar com ele, ele é a referência. Depois, veja o que acontece quando ele ganha: uma escorada para o espaço, uma cabeçada para o meia ou um toque de lado de costas para o gol. O parceiro de ataque costuma estar a poucos metros, pronto para a segunda bola. A Wikipédia em inglês lembra ainda que esse tipo de atacante é muito marcado e sofre muitas faltas, então um 9 que cava muitas faltas é outro sinal.
Quando o treinador escolhe um centroavante de referência
Quando o time quer chegar à frente rápido ou não consegue sair jogando contra a pressão. Quando tem bons cruzadores pelos lados. Quando está atrás no placar e quer pôr a bola na área mais vezes. E quando os jogadores mais rápidos do elenco precisam de alguém para tabelar, como os da França em 2018. O custo: se ele perde os duelos, um time construído na bola longa devolve a posse o tempo todo.
O que é centroavante de referência?
É o camisa 9, geralmente alto e forte, cujo trabalho principal é ganhar a bola longa e alta, segurá-la e ajeitar ou escorar para os companheiros. Ele dá ao time um ponto fixo quando o jogo precisa avançar rápido.
Qual a diferença entre centroavante de referência e homem de área?
A referência joga de costas, ganha a bola pelo alto e segura para os outros. O homem de área joga de frente e espera a bola dentro da área para finalizar. Numa dupla de ataque, os dois costumam se completar.
Qual esquema usa um centroavante de referência?
O 4-4-2 é o clássico, porque o segundo atacante joga em volta dele e pega as escoradas. O 3-5-2 também combina, com os alas cruzando. No 4-2-3-1 ele joga sozinho, e o meio precisa chegar rápido para apoiá-lo.
O que faz um bom centroavante de referência?
Força para segurar o zagueiro, bom cabeceio, um primeiro toque confiável de costas para o gol e leitura para achar o companheiro rápido. Fazer gols ajuda, mas boa parte do seu valor está nos gols que ele torna possíveis para os outros.
Você pode colocar um 4-4-2 na prancheta tática.
Fontes e leitura complementar
- Nos seus 65 anos, Serginho tem um grande presente: enfim, é visto como gente boa — Trivela
- O que é um 'Falso 9' e quais as diferenças entre os diversos tipos de centroavantes — Footure
- Atacante (futebol) — Wikipédia
- Two up front: football tactics explained — Coaches' Voice
- No goals? No problem. Olivier Giroud's mission to supply France with glory — The Guardian
- Camisa 9: a origem do centroavante — Lance!